Vale do Silício · abril de 2026

Sistemas de trabalho com agentes de IA

Desenho a orquestração entre humanos e agentes.

Produzir ficou barato. Decidir o que presta, não. Construo sistemas em que a pessoa define o que precisa ser feito, escolhe o que a IA vai saber e responde pelo resultado. O agente executa, verifica e guarda o que aprendeu, dentro de limites claros. Escrevo para quem lidera uma operação ou carrega um repertório que ainda vive só na própria cabeça.

Uma edição por semana, com o diagrama de uma operação real e a decisão por trás dele.

José Carlos Amorim em plano de meio corpo no campus da Universidade de Berkeley, olhar direto para a câmera, expressão tranquila.
José Carlos Amorim · Berkeley, abril de 2026
  • Arquiteto de sistemas com pessoas e IA
  • Ex-jornalista, cerca de uma década de redação
  • Educador em IA aplicada
  • Florianópolis, SC

A tese

A IA não trabalha sozinha.

Duas pessoas usam a mesma IA e chegam a resultados muito diferentes. A diferença não está no agente, o programa que executa a tarefa. Está no que existe em volta dele: o que ele sabe do seu negócio, o que ele guarda de uma conversa para a outra e em que ponto o trabalho volta para uma pessoa.

Automação troca uma tarefa repetida por um comando que roda sozinho, como o e-mail que dispara quando alguém preenche um formulário. Orquestração é maior: é decidir quem faz o quê, entre pessoas e IAs, até o trabalho terminar. O humano sai da repetição, nunca da responsabilidade.

A mudança

De ferramenta a sistema

Quando eu abro uma operação, quase sempre encontro o primeiro estágio: alguém perguntando no ChatGPT e recebendo uma resposta. A próxima etapa não é usar outra IA mais inteligente. É montar uma arquitetura com memória, critérios, rotinas e limites. Nem tudo é IA e nem tudo é para humano fazer.

ESTÁGIO 01

Ferramenta

Você pergunta, a IA responde e o contexto morre junto com a aba do navegador.

VOCÊ IA nada fica guardado
ESTÁGIO 02

Teammate

Teammate quer dizer colega de equipe. O agente ganha nome, função e memória. Em vez de esperar seu pedido, ele acompanha o trabalho: sabe que segunda tem relatório e já chega com ele começado.

VOCÊ AGENTE MEMÓRIA FERRAMENTAS o seu espaço de trabalho
ESTÁGIO 03 · AQUI

Sistema

Pessoas, agentes, memória e critérios operam no mesmo desenho. Cada passagem de bastão tem regra escrita: o que o agente resolve sozinho, o que precisa de um humano e o que fica registrado.

CANAIS AGENTE AGENTE MEMÓRIA COMPARTILHADA a operação da empresa

A arquitetura

A anatomia de uma operação híbrida

Um sistema de trabalho não é uma lista de ferramentas conectadas. São quatro peças que precisam estar visíveis: quem decide, quem executa, o que fica guardado e onde o trabalho muda de dono. Esse último ponto tem nome: handoff, a passagem de bastão. É o que quase nunca está escrito em lugar nenhum.

Quando uma dessas peças some do desenho, a empresa acumula o que eu chamo de dívida de orquestração: o custo escondido de um processo que só anda porque alguém lembra de empurrar. O trabalho continua saindo. Só que ninguém enxerga mais onde ele trava, e o tempo que some ali não aparece em relatório nenhum.

Arraste para ver o fluxo completo

HUMANO intenção AGENTE executa · busca · verifica HANDOFF julgamento CONTEXTO TRABALHO PRONTO GRAVA O QUE FEZ APROVA FEEDBACK SISTEMA COMPARTILHADO memória · histórico · regras · métricas

O agente executa. O humano julga. O sistema aprende.

Terracota · decisão humana Ciano · execução do agente Tracejado · feedback
Humano

Define a intenção, escolhe o contexto que o agente vai enxergar, julga o resultado e assume a responsabilidade final. Nada começa antes dessa decisão.

Agente

Executa, busca, transforma e verifica dentro de critérios que alguém escreveu antes. Critério pode ser uma frase: acima de tal valor, nada é aprovado sem um humano olhar.

Memória

Guarda o contexto, o histórico e em que ponto cada coisa parou. Sem isso, você explica de novo quem é o cliente e o que já foi decidido a cada conversa nova.

Handoff

É o ponto em que o trabalho troca de mãos, do agente para uma pessoa ou de uma pessoa para outra. Quando ele não está no papel, o trabalho para e cada um acha que está com o outro.

Para olhar a sua própria operação, cinco perguntas bastam

Responda pensando num processo que você tocou esta semana. Onde a resposta for silêncio, é ali que a dívida se acumula.

José Carlos Amorim sentado a uma mesa de reunião, com um laptop aberto ao lado, olhando para fora do quadro.
  1. Quem define a intenção?
  2. Que contexto circula, e quem trabalha sem ele?
  3. O que o agente executa sem parar para perguntar?
  4. Onde fica o handoff, a troca de mãos?
  5. Quem julga e responde no final?

O limite

O que continua humano

Tirar o humano da repetição é o objetivo. Tirar o humano da decisão é outra coisa, e não é isso que eu construo.

Quanto mais barato fica produzir, mais cara fica a decisão errada. O repertório que você levou anos para construir volta a valer, porque é ele que reconhece o que não se encaixa em regra nenhuma. A parte difícil de um sistema híbrido não é fazer o agente trabalhar. É decidir onde ele precisa parar e chamar uma pessoa.

Mão anotando à caneta em um caderno pequeno, apoiado sobre o joelho, com um celular na outra mão.
  1. A intenção. Nenhum agente descobre sozinho o que vale a pena ser feito.
  2. A escolha do contexto. Alguém decide o que entra na memória do sistema e o que fica de fora. O histórico do contrato entra? O que foi combinado por mensagem entra?
  3. O julgamento sobre a exceção. O pedido que se repete, o agente cobre. O que chega com um detalhe fora do lugar é onde alguém precisa olhar.
  4. A responsabilidade. Quando o resultado sai errado, não existe agente para assinar embaixo. Quem explica ao cliente é uma pessoa.

Em construção

O que estou construindo agora

Meu laboratório atual é Graph Engineering com Hermes Agent. Grafo é só o nome do desenho: em vez de um agente único tentando dar conta de tudo, o trabalho vira uma rede de agentes menores, cada um com uma função, todos olhando para a mesma informação. Um lê, outro escreve, outro confere, e cada um sabe onde o anterior parou.

Estou arquitetando seis peças. Os perfis dão identidade e contexto próprios a cada função. O gateway é a portaria: WhatsApp e reuniões entram por um lugar só. A memória guarda o que já foi combinado. As rotinas fazem o agente agir na hora marcada, sem ninguém pedir. As skills são as tarefas que ele já sabe fazer do começo ao fim. E o Kanban híbrido é o quadro de tarefas de sempre, com uma diferença: parte dos cartões está no nome de uma pessoa e parte no nome de um agente. Nada disso é plataforma pronta. É operação em construção, e eu escrevo sobre ela enquanto ela quebra e se ajusta.

PerfisGatewayMemória RotinasSkillsKanban híbrido
Um laptop aberto sobre a mesa exibindo um terminal, com pessoas trabalhando ao redor, fora de foco.

A prova

O que já está rodando

Sistema

O Hermes Agent é o laboratório onde testo identidade, memória, rotinas e handoffs. O caso que estou rodando agora: ele acompanha uma reunião, transforma o que ficou solto em tarefa e me devolve a lista para eu aprovar. Publico o desenho, a decisão por trás dele e também o que quebrou.

Operação

Minha própria produção de conteúdo roda assim. Eu escolho o assunto e assino a aprovação. O sistema transforma o material em post, gera a imagem, publica e me devolve os números de cada peça. O verbo que não deleguei foi escolher.

Escala

Mais de dez mil alunos impactados em experiências de aprendizagem, segundo levantamento próprio. O critério que sobrou dali é o mesmo que uso hoje: a pessoa sai com algo rodando ou sai com anotação?

José Carlos Amorim de perfil, vestindo preto, trabalhando em um laptop com luz natural suave.
  • Curso Leaders of Learning, de Harvard
  • Certificação AI for Business, IBM
  • Jornalista por prática, não por formação universitária

Quem sou

Um editor que virou arquiteto de sistemas

Sou José Carlos Amorim, o Zé. Venho da redação, passei pelo desenho de aprendizagem, que é planejar como uma pessoa aprende a fazer algo na prática, e hoje construo operações em que pessoas e agentes de IA dividem o trabalho. As três coisas resolvem o mesmo problema: transformar informação em algo que alguém consegue executar.

Trabalhei cerca de uma década como jornalista na Rede Amazônica, afiliada ao ecossistema Globo, entre reportagem, apresentação e rádio. A redação foi minha escola de síntese, de apurar com informação incompleta e de decidir sob pressão. Fechar uma matéria é escolher a hora de parar de buscar e assumir o que já está na mão. A IA cobra a mesma disciplina: a resposta chega rápida e incompleta, e alguém precisa dizer se ela já serve.

Depois vieram a aprendizagem e a IA aplicada. Na Academia Lendária, trabalhei desenhando experiências para transformar IA generativa em capacidade prática. A régua deixou de ser entender a explicação e passou a ser conseguir fazer aquilo depois, sem ninguém do lado.

Hoje os dois repertórios entram na arquitetura de sistemas. O julgamento editorial define o que merece virar ação. O desenho de aprendizagem define como o que alguém sabe fazer sem pensar vira um passo a passo que outra pessoa, ou um agente, consegue seguir. Na MGT, uma operação de médio porte na área tributária, desenho e implemento a orquestração entre especialistas e agentes de IA. O que é interno continua interno, então o que eu publico é o método, nunca o conteúdo do trabalho.

Os pilares

Sobre o que eu escrevo

A Era da Orquestração

O que muda quando a IA sai da conversa e entra no fluxo de trabalho, com tarefa, prazo e responsável. E por que decidir voltou a ser a parte cara.

Personal Agents

Agente pessoal é uma IA que trabalha só para você e não esquece o que já passou. Como ela ganha identidade, memória, rotinas e ferramentas. E como ela sabe a hora de pedir ajuda.

Operações Híbridas

Handoffs, o que precisa estar certo para o trabalho passar adiante, quem tem permissão para o quê e como medir o resultado. Como dividir tarefa entre pessoas e agentes sem perder o fio.

Construção em público

Quanto custou, onde travou e a decisão que eu revi depois que quebrou. Arquitetura real, não versão de palco.

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Toda semana eu abro uma operação por dentro: o diagrama, a decisão que sustenta aquele desenho e o que quebrou antes de funcionar. Sem lista de ferramentas, sem notícia de IA nova.

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