O Hermes Agent é o laboratório onde testo identidade, memória, rotinas e handoffs. O caso que estou rodando agora: ele acompanha uma reunião, transforma o que ficou solto em tarefa e me devolve a lista para eu aprovar. Publico o desenho, a decisão por trás dele e também o que quebrou.
Sistemas de trabalho com agentes de IA
Desenho a orquestração entre humanos e agentes.
Produzir ficou barato. Decidir o que presta, não. Construo sistemas em que a pessoa define o que precisa ser feito, escolhe o que a IA vai saber e responde pelo resultado. O agente executa, verifica e guarda o que aprendeu, dentro de limites claros. Escrevo para quem lidera uma operação ou carrega um repertório que ainda vive só na própria cabeça.
Uma edição por semana, com o diagrama de uma operação real e a decisão por trás dele.
A tese
A IA não trabalha sozinha.
Duas pessoas usam a mesma IA e chegam a resultados muito diferentes. A diferença não está no agente, o programa que executa a tarefa. Está no que existe em volta dele: o que ele sabe do seu negócio, o que ele guarda de uma conversa para a outra e em que ponto o trabalho volta para uma pessoa.
Automação troca uma tarefa repetida por um comando que roda sozinho, como o e-mail que dispara quando alguém preenche um formulário. Orquestração é maior: é decidir quem faz o quê, entre pessoas e IAs, até o trabalho terminar. O humano sai da repetição, nunca da responsabilidade.
A mudança
De ferramenta a sistema
Quando eu abro uma operação, quase sempre encontro o primeiro estágio: alguém perguntando no ChatGPT e recebendo uma resposta. A próxima etapa não é usar outra IA mais inteligente. É montar uma arquitetura com memória, critérios, rotinas e limites. Nem tudo é IA e nem tudo é para humano fazer.
Ferramenta
Você pergunta, a IA responde e o contexto morre junto com a aba do navegador.
Teammate
Teammate quer dizer colega de equipe. O agente ganha nome, função e memória. Em vez de esperar seu pedido, ele acompanha o trabalho: sabe que segunda tem relatório e já chega com ele começado.
Sistema
Pessoas, agentes, memória e critérios operam no mesmo desenho. Cada passagem de bastão tem regra escrita: o que o agente resolve sozinho, o que precisa de um humano e o que fica registrado.
A arquitetura
A anatomia de uma operação híbrida
Um sistema de trabalho não é uma lista de ferramentas conectadas. São quatro peças que precisam estar visíveis: quem decide, quem executa, o que fica guardado e onde o trabalho muda de dono. Esse último ponto tem nome: handoff, a passagem de bastão. É o que quase nunca está escrito em lugar nenhum.
Quando uma dessas peças some do desenho, a empresa acumula o que eu chamo de dívida de orquestração: o custo escondido de um processo que só anda porque alguém lembra de empurrar. O trabalho continua saindo. Só que ninguém enxerga mais onde ele trava, e o tempo que some ali não aparece em relatório nenhum.
Arraste para ver o fluxo completo
O agente executa. O humano julga. O sistema aprende.
Define a intenção, escolhe o contexto que o agente vai enxergar, julga o resultado e assume a responsabilidade final. Nada começa antes dessa decisão.
Executa, busca, transforma e verifica dentro de critérios que alguém escreveu antes. Critério pode ser uma frase: acima de tal valor, nada é aprovado sem um humano olhar.
Guarda o contexto, o histórico e em que ponto cada coisa parou. Sem isso, você explica de novo quem é o cliente e o que já foi decidido a cada conversa nova.
É o ponto em que o trabalho troca de mãos, do agente para uma pessoa ou de uma pessoa para outra. Quando ele não está no papel, o trabalho para e cada um acha que está com o outro.
Para olhar a sua própria operação, cinco perguntas bastam
Responda pensando num processo que você tocou esta semana. Onde a resposta for silêncio, é ali que a dívida se acumula.
- Quem define a intenção?
- Que contexto circula, e quem trabalha sem ele?
- O que o agente executa sem parar para perguntar?
- Onde fica o handoff, a troca de mãos?
- Quem julga e responde no final?
O limite
O que continua humano
Tirar o humano da repetição é o objetivo. Tirar o humano da decisão é outra coisa, e não é isso que eu construo.
Quanto mais barato fica produzir, mais cara fica a decisão errada. O repertório que você levou anos para construir volta a valer, porque é ele que reconhece o que não se encaixa em regra nenhuma. A parte difícil de um sistema híbrido não é fazer o agente trabalhar. É decidir onde ele precisa parar e chamar uma pessoa.
- A intenção. Nenhum agente descobre sozinho o que vale a pena ser feito.
- A escolha do contexto. Alguém decide o que entra na memória do sistema e o que fica de fora. O histórico do contrato entra? O que foi combinado por mensagem entra?
- O julgamento sobre a exceção. O pedido que se repete, o agente cobre. O que chega com um detalhe fora do lugar é onde alguém precisa olhar.
- A responsabilidade. Quando o resultado sai errado, não existe agente para assinar embaixo. Quem explica ao cliente é uma pessoa.
Em construção
O que estou construindo agora
Meu laboratório atual é Graph Engineering com Hermes Agent. Grafo é só o nome do desenho: em vez de um agente único tentando dar conta de tudo, o trabalho vira uma rede de agentes menores, cada um com uma função, todos olhando para a mesma informação. Um lê, outro escreve, outro confere, e cada um sabe onde o anterior parou.
Estou arquitetando seis peças. Os perfis dão identidade e contexto próprios a cada função. O gateway é a portaria: WhatsApp e reuniões entram por um lugar só. A memória guarda o que já foi combinado. As rotinas fazem o agente agir na hora marcada, sem ninguém pedir. As skills são as tarefas que ele já sabe fazer do começo ao fim. E o Kanban híbrido é o quadro de tarefas de sempre, com uma diferença: parte dos cartões está no nome de uma pessoa e parte no nome de um agente. Nada disso é plataforma pronta. É operação em construção, e eu escrevo sobre ela enquanto ela quebra e se ajusta.
A prova
O que já está rodando
Minha própria produção de conteúdo roda assim. Eu escolho o assunto e assino a aprovação. O sistema transforma o material em post, gera a imagem, publica e me devolve os números de cada peça. O verbo que não deleguei foi escolher.
Mais de dez mil alunos impactados em experiências de aprendizagem, segundo levantamento próprio. O critério que sobrou dali é o mesmo que uso hoje: a pessoa sai com algo rodando ou sai com anotação?
- Curso Leaders of Learning, de Harvard
- Certificação AI for Business, IBM
- Jornalista por prática, não por formação universitária
Quem sou
Um editor que virou arquiteto de sistemas
Sou José Carlos Amorim, o Zé. Venho da redação, passei pelo desenho de aprendizagem, que é planejar como uma pessoa aprende a fazer algo na prática, e hoje construo operações em que pessoas e agentes de IA dividem o trabalho. As três coisas resolvem o mesmo problema: transformar informação em algo que alguém consegue executar.
Trabalhei cerca de uma década como jornalista na Rede Amazônica, afiliada ao ecossistema Globo, entre reportagem, apresentação e rádio. A redação foi minha escola de síntese, de apurar com informação incompleta e de decidir sob pressão. Fechar uma matéria é escolher a hora de parar de buscar e assumir o que já está na mão. A IA cobra a mesma disciplina: a resposta chega rápida e incompleta, e alguém precisa dizer se ela já serve.
Depois vieram a aprendizagem e a IA aplicada. Na Academia Lendária, trabalhei desenhando experiências para transformar IA generativa em capacidade prática. A régua deixou de ser entender a explicação e passou a ser conseguir fazer aquilo depois, sem ninguém do lado.
Hoje os dois repertórios entram na arquitetura de sistemas. O julgamento editorial define o que merece virar ação. O desenho de aprendizagem define como o que alguém sabe fazer sem pensar vira um passo a passo que outra pessoa, ou um agente, consegue seguir. Na MGT, uma operação de médio porte na área tributária, desenho e implemento a orquestração entre especialistas e agentes de IA. O que é interno continua interno, então o que eu publico é o método, nunca o conteúdo do trabalho.
Os pilares
Sobre o que eu escrevo
A Era da Orquestração
O que muda quando a IA sai da conversa e entra no fluxo de trabalho, com tarefa, prazo e responsável. E por que decidir voltou a ser a parte cara.
Personal Agents
Agente pessoal é uma IA que trabalha só para você e não esquece o que já passou. Como ela ganha identidade, memória, rotinas e ferramentas. E como ela sabe a hora de pedir ajuda.
Operações Híbridas
Handoffs, o que precisa estar certo para o trabalho passar adiante, quem tem permissão para o quê e como medir o resultado. Como dividir tarefa entre pessoas e agentes sem perder o fio.
Construção em público
Quanto custou, onde travou e a decisão que eu revi depois que quebrou. Arquitetura real, não versão de palco.
As redes
Onde eu publico
A newsletter é onde o raciocínio inteiro chega. Nas redes vão os recortes, no formato que cada uma sabe carregar.
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Toda semana eu abro uma operação por dentro: o diagrama, a decisão que sustenta aquele desenho e o que quebrou antes de funcionar. Sem lista de ferramentas, sem notícia de IA nova.
Orquestração Híbrida · semanal
- O diagrama de uma operação real
- A decisão que sustenta aquele desenho
- O que quebrou antes de funcionar
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